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Escolhida - P.C. Cast e Kristin Cast online

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Escolhida - P.C. Cast e Kristin Cast online

Mensagem por Beatriz em 27/06/12, 02:47 pm


House of Night - 03 - Chosen
Por P.C. Cast e Kristin Cast

Esse é para todos que nos mandaram email querendo
mais e mais de Zoey e sua gangue. Nós amamos vocês!


1° Capítulo
Spoiler:
UM
“Yeah, eu tenho um aniversário horrível,” eu disse a minha gata, Nala. (Ok, na verdade ela não é minha gata e sim sou a pessoa dela. Você sabe como é com gatos: Eles não tem donos, eles tem empregados. Um gato que eu ignoro.)
De qualquer jeito, eu continuo falando com a gata como se ela estivesse pendurada em cada palavra minha, o que tããããão não é o caso. “Já faz 17 anos de um aniversário chato do dia 24 de dezembro. Eu estou completamente acostumada. Não tem nada demais.” Eu sabia que estava dizendo as palavras só para me convencer. Nala “mee-uf-owed” para mim em sua voz mal humorada de uma mulher velha e então sentou suas partes privadas, claramente entendendo que eu estava cheia.
“Aqui é o negócio,” eu continuei quando terminei de passar um pouco de delineador nos meus olhos. (E eu digo um pouco passar-delineador-até-parecer-um-guaxinin definitivamente não é para mim. Na verdade, não é para ninguém.) “Eu vou ganhar vários presentes de bom grado que não são presentes de aniversário de verdade – são coisas com temas de Natal porque as pessoas tentam esmagar meu aniversário com o natal, e isso não funciosa.” Eu encontrei os olhos verdes no espelho. “Mas vamos fingir que está tudo bem com os presentes nerds porque as pessoas não entendem que elas não podem juntar um aniversário com natal. Pelo menos não com sucesso.”
Nala espirrou.

“Exatamente como me sinto, mas seremos boazinhas porque é pior dizer alguma coisa. Então ganho presentes horríveis e todo mundo fica chateado e as coisas ficam estranhas.” Nala não parecia convencida, então foquei minha atenção no meu reflexo. Por um segundo eu pensei ter exagerado no delineador, mas eu olhei mais perto e percebi que o que estava fazendo meus olhos ficarem tão grandes e escuros não era o meu delineador. Embora já fizesse dois meses desde que eu fui Marcada e virei uma vampira, a tatuagem em forma de lua crescente entre meus olhos e elaborados fios de tatuagens entrelaçadas que emolduravam meu rosto ainda tinham a habilidade de me surpreender. Eu tracejei uma das linhas espirais com meu dedo. Então quase inconciente eu abaixei a já baixa gola do meu suéter para baixo e expus meu ombro esquerdo. Com uma virada da minha cabeça eu joguei para trás meu cabelo escuro para que o raro padrão de tatuagens que começava na base do meu pescoço e se espalhavam por meus ombros até o lado da minha espinha até a parte baixa das minhas costas. Como sempre, a visão de minhas tatuagens me dava um choque elétrico que me deixava em parte excitada e em parte com medo.
“Você não é como todo mundo,” eu sussurrei para meu reflexo. Então limpei minha garganta em uma voz muito faceira. “E está tudo bem não ser como todo mundo.” Eu virei os olhos para mim mesma. “Tanto faz.” Eu olhei por cima da minha cabeça, meio surpresa por não ser visível. Quero dizer, eu definitivamente podia sentir a enorme nuvem negra que me seguia desde o ultimo mês. “Diabos, estou surpresa por não estar chovendo aqui. E isso não seria ótimo para o meu cabelo?” Eu sarcasticamente disse para o meu reflexo. Então suspirei e peguei um envelope que estava na minha mesa, A FAMÍLIA HEFFER estava escrito com linhas douradas contra o brilhante endereço de resposta. “Em falar em depressivo...” eu murmurei.
Nala espirrou de novo.

“Você está certa. É melhor acabar com isso.” Eu relutantemente abri meu envelope e puxei o cartão. “Ah, diabos. É pior do que eu pensei.” Havia uma enorme cruz de madeira na frente do cartão. No meio da cruz (com um prego ensangüentado) tinha um velho papel. Escrito (em sangue, é claro) estavam as palavras: Ele é a razão para a temporada. Dentro do cartão estava escrito (com letras vermelhas, é claro): FELIZ NATAL. Abaixo disso, com a letra da minha mãe, dizia:


Eu espero que você lembre da sua família durante essa época abençoada do ano.

Feliz Aniversário,

Com amor,

Mamãe e Papai.


“Isso é tão típico,” eu disse a Nala. Meu estômago doeu. “E ele não é meu pai.” Eu rasguei o cartão em dois e o joguei no lixo, e então levantei olhando para os pedaços. “Se meus pais não vão me ignorar, eles estão me insultando. Eu prefiro ser ignorada.”
A batida na minha porta me fez pular.
“Zoey, todos querem saber onde você está.” A voz de Damien passou facilmente pela porta.
“Espera – estou quase pronta,” eu gritei, me balancei mentalmente, e olhei mais uma vez meu reflexo, decidindo, com uma ponta defensiva, deixar meu ombro nu. “Minhas Marcas não são como as de todo mundo. É melhor dar as pessoas algo para olhar enquanto conversam.” Eu murmurei.
Então suspirei. Eu normalmente não sou tão mal humorada. Mas meu péssimo aniversário, meus péssimos pais...
Não. Eu não podia continuar mentindo para mim mesma.
“Queria que Stevie Rae estivesse aqui,” eu sussurrei.

E era isso, o que tinha feito eu me afastar dos meus amigos (incluindo meus namorados – os dois) durante o mês e personificando uma grande, carregada, e nojenta nuvem de chuva. Eu sentia falta da minha melhor amiga e ex colega de quarto, que todos tinham visto morrer um mês atrás, mas quem eu sabia que tinha virado uma criatura morta viva da noite. Não importa o quão melodramática e um péssimo filme isso soa. A verdade era que agora, Stevie Rae deveria estar lá embaixo se ocupando com os detalhes bobos do meu aniversário chato, e agora ela estava andando em algum lugar nos velhos túneis de baixo de Tulsa, conspirando com suas criaturas amigas nojentas que eram realmente maldosas, assim como definitivamente fedidas.
“Uh, Z? Você está bem aí?” A voz de Damien chamou de novo, interrompendo minha tagarelice mental. Eu levantei Nala que reclamava, virando as costas para o terrível cartão de natal-aniversário dos meus pais, e corri para a porta, quase atropelando Damien que parecia preocupado.
“Desculpe... desculpe...” eu murmurei. Ele parou do meu lado, dando pequenos e rápidos olhares de lado.
“Eu nunca conheci ninguém antes que não ficasse excitado com seu aniversário,” Damien disse.
Eu soltei Nala e dei nos ombros, tentando sorrir. “Só estou praticando para quando estiver velha – tipo com 30 – e precisar mentir sobre minha idade.”
Damien parou e virou seu rosto para mim. “Okayyyyy.” Ele arrastou a palavra. “Todos sabemos que vampiros de 30 anos ainda parecem ter 20 e definitivamente são quentes. Na verdade vampiros de 130 anos ainda parecem ter 20 e são definitivamente bonitos. Então mentir sobre sua idade não é um problema. O que está acontecendo com você?”
Enquanto hesitei, tentando descobrir o que podia ou não dizer para Damien, ele levantou uma sobrancelha, e a voz de professor dele disse, “Você sabe o quão sensíveis minha gente são para emoções, então é melhor você desistir e me contar a verdade.”
Eu suspirei de novo. “Vocês gays são incrivelmente intuitivos.”

“Somos nós: homos – poucos, orgulhosos, e super sensíveis.”
“Homo não é um termo pejorativo?”
“Não se for usado por um homo. Mas você está enrolando e isso não está funcionando para você.” Ele pôs as mãos nos quadris e bateu o pé.
Eu sorri para ele, mas sabia que a expressão não chegou nos meus olhos. Com uma intensidade que me surpreendeu, de repente, eu desesperadamente queria contar a verdade ao Damien.
“Eu sinto falta de Stevie Rae,” eu disse antes de poder me parar.
Ele não hesitou. “Eu sei.” Os olhos dele pareciam suspeitosamente úmidos.
E foi isso. Como se uma represa tivesse se quebrado dentro de mim as palavras começaram a sair. “Ela deveria estar aqui! Ela estaria correndo como uma mulher louca colocando decorações de aniversário e provavelmente assando um bolo sozinha.”
“Um bolo realmente horrível,” Damien disse com um pequeno fungo.
“Yeah, mas uma das receitas favoritas de sua mãe,” eu dei o meu melhor sotaque Okie exagerado enquanto imitava a voz country de Stevie Rae, o que me fez sorrir pelas lágrimas, e eu pensei o quão estranho era agora que eu estava deixando Damien ver o quão magoada eu me sentia – e enquanto me sentia desse jeito – meu sorriso chegou nos meus olhos.
“E as Gêmeas e eu ficaríamos fulas porque ela teria insistido que todos usássemos aqueles chapéus de aniversários pontudos com um elástico que pinica seu queixo.” Ele tremeu em um horror não tão fingido. “Deus, eles são tão feios.”
Eu ri e senti um pouco do aperto no meu peito se soltar. “Tem algo sobre Stevie Rae que me faz sentir bem.” Eu não percebi que usei o verbo no presente até que o sorriso de Damien vacilou.

“Yeah, ela era ótima,” ele disse, com uma ênfase extra na palavra era enquanto olhava para mim como se estivesse preocupado com minha sanidade. Se ele apenas soubesse toda a verdade. Se eu pudesse contar a ele. Mas eu não podia. Se eu contasse, isso iria levar Stevie Rae ou eu, ou nós duas, a morte. Pra sempre dessa vez.
Então, ao invés disso, eu agarrei o braço do meu amigo obviamente preocupado e comecei a puxar ele em direção as escadas que levariam até a sala do dormitório das garotas e meus amigos que esperavam (e seus presentes nerds).
“Vamos. Estou sentindo a necessidade de abrir presentes,” eu menti entusiasticamente.
“Ohmeudeus! Não posso esperar para você abrir o meu!” Damien disse. “Eu procurei por ele toda a vida!”
Eu sorri e acenei apropriadamente enquanto Damien falava sobre sua Busca ao Presente Perfeito. Normalmente ele não é tão gay. Não que o fabuloso Damien Maslin não seja gay. Ele totalmente é. Mas ele também é alto, com cabelo marrom, grandes olhos que o fazem parecer um excelente material para namorado (o que ele é – se você é um cara). Ele não é um gay, mas faça o garoto falar sobre compras e ele definitivamente mostra algumas tendências femininas. Não que eu não goste disso sobre ele. Eu acho que ele parece fofo quando ele fala da importância de comprar bons sapatos, e agora a tagarelice dele era suave. Estava me ajudando a me aprontar para os péssimos presente que (infelizmente) esperavam por mim.

Pena que não podia me ajudar a enfrentar o que realmente estava me incomodando.

Ainda falando sobre sua Busca de Compras, Damien me guiou até a sala do dormitório. Eu acenei para várias ondas de garotas empoleiras perto das TVs enquanto íamos até o pequeno aposento que servia como laboratório de mulher e biblioteca. Damien abriu a porta e meus amigos começaram um coro totalmente desafinado de “Parabéns pra você.” Eu ouvi Nala assoviar e dando um olhar de lado eu a vi se afastar da porta e sair trotando pelo corredor. Covarde, eu pensei, embora eu desejasse poder escapar com ela.
A música acabou (graças a Deus), minha turma me cercou.
“Feliz-feliz!” falaram as Gêmeas juntas. Ok – elas não são genéticamente gêmeas. Erin Bates é uma garota bem branca de Tulsa e Shaunee Cole a uma adorável garota cor de caramelo descendente de Jamaica que cresceu em Connecticut, mas as duas são tão bizarramente parecidas que o tom de pele e região não fazem diferença nenhuma. Elas são gêmeas de aulas, o que é muito mais perto do que biologicamente.

“Feliz Aniversário, Z,” disse uma profunda e sexy voz que eu conhecia muito, muito bem. Eu sai do sanduíche de gêmeas e andei até os braços do meu namorado, Erik. Bem, tecnicamente, Erik era um dos meus dois namorados, mas o outro Heath, era um adolescente humano que eu namorei antes de ser Marcada e eu não deveria estar saindo com ele agora, mas eu meio que acidentalmente suguei o sangue dele e agora tínhamos um Imprint então ele era meu namorado como conseqüência. Sim, era confuso. Sim, fazia Erik ficar bravo. Sim, eu esperava que ele me largasse a qualquer dia por causa disso.
“Obrigado,” eu murmurei olhando para ele e ficando presa de novo nos seus incríveis olhos. Erik era alto e bonito, com um cabelo escuro parecido com o de Superman e olhos incrivelmente azuis. Eu relaxei nos braços dele, algo que eu não tinha me permitido durante o último mês, e temporariamente me deliciei com seu cheiro delicioso e com senso de segurança que eu sentia quando estava perto dele. Ele encontrou meu olhar e, como nos filmes, por um segundo tudo sumiu e era apenas nós dois. Quando eu não sai dos braços dele o sorriso dele era devagar e um pouco surpreso, o que fez meu coração doer. Eu estava fazendo ele passar por muita coisa ultimamente – e ele nem entendia porque. Impulsivamente, eu me ergui na ponta dos pés e o beijei, para a alegria geral dos meus amigos.
“Hey, Erik, porque você não espalha um pouco desse açúcar de aniversário ao redor?” Shaunee balançou as sobrancelhas para meu sorridente namorado.
“Yeah, doce coisa,” Erin disse, em uma típica imitação gêmea da sobrancelha balançada de Shaunee. “Que tal um beijo por aqui.”
Eu virei os olhos para as Gêmeas. “Uh, não é o aniversário dele. Você só pode beijar o aniversariante."

“Droga,” Shaunee disse. “Eu te adoro, Z, mas não quero te beijar.”
“Apenas por favor com beijo de pessoas do mesmo sexo,” Erin disse, então ela riu para Damien (que estava olhando adoravelmente para Erik). “Eu deixo isso para Damien.”
“Huh?” Damien disse, claramente prestando mais atenção na beleza de Erik do que nas Gêmeas.
“De novo, nós dizemos –” Shaunee começou.
“Time errado!” e Erin terminou.
Erik de uma risada natural, deu um soco do braço de Damien bem masculino, e disse, “Hey, se eu decidir algum dia mudar de time, você será o primeiro a saber.” (Outra razão do porque eu o adoro. Ele é super legal e popular, mas ele aceita as pessoas por quem são e nunca fica com uma atitude pra cima delas.)
“Uh, eu espero ser a primeira a saber se você mudar de time,” eu disse.
Erik riu e me abraçou, sussurrando, “Não é algo que você deve se preocupar,” no meu ouvido.
Enquanto eu seriamente considerava dar outro beijo em Erik, um mini furacão na forma do namorado de Damien, Jack Twist, entrou no aposento.
“Yeah! Ela não abriu os presentes ainda. Feliz aniversário, Zoey!” Jack jogou os braços ao nosso redor (sim, Damien e eu) e nos deu um forte abraço.
“Eu disse que você precisava se apressar,” Damien disse, enquanto nos afastávamos.
“Eu sei, mas eu tinha que me certificar de que ficasse bem embrulhado,” Jack disse.
Com um embrulho que só um homem gay pode fazer, ele pegou na sua bolsa masculina uma caixa enrolada em uma folha vermelha com uma brilhante tigela verde que era tão grande que praticamente engolia o pacote. “Eu mesmo fiz a tigela.”
“Jack é muito bom com artesanato,” Erik disse. “Ele só não é bom em limpar a sujeira.”
“Desculpe,” Jack disse suavemente. “Eu prometo limpar tudo depois da festa.”

Erik e Jack eram colegas de quarto, provando o quanto Erik era legal. Ele é um quintanista (em língua normal ele está no segundo ano) e ele também é o cara facilmente mais popular da escola. Jack é um terceiranista (um calouro), o garoto novo, fofo mas meio nerd, e definitivamente gay. Erik podia ter feito um escândalo por ter ficado como colega de um bicha e podia ter deixado de ser seu colega de quarto, e fazer da vida de Jack um inferno na House of Night. Ao invés disso ele o colou embaixo da asa e o trata como um irmãozinho, um tratamento estendido a Damien, que estava oficialmente saindo com Jack a duas semanas e meia, hoje. (Todos sabemos disso porque Damien é ridiculamente romântico e ele celebra o aniversário de duas semanas e meia assim como celebra os semanais. Sim, faz o resto de nós rir. De um bom jeito.)
“Olá! Em falar de presente!” Shaunee disse.
“Yeah, traga a caixa com a tigela aqui para a mesa de presentes e deixe Zoey a abrir,” Erin disse.
Eu ouvi Jack sussurrar para Damien, “caixa com tigela?” e peguei o olhar de ajuda de Damien, enquanto ele assegurava Jack, “Não, está perfeito!”
“Eu vou levar para a mesa e abrir primeiro.” Eu tirei o pacote dele, me apressando até a mesa, e comecei a tirar a tigela verde brilhante da folha vermelha dizendo, “Eu acho que vou guardar essa tigela é tão legal.”
Damien me deu uma piscada agradecida. Eu ouvi Erin e Shaunee relinchar e eu consegui chutar uma delas, o que calou as duas. Colocando a tigela de lado eu desenrolei e abri a pequena caixa e tirei...
Oh, jeesh.
“Um globo de neve,” eu disse, tentando soar feliz. “Com um boneco de neve dentro.” Ok, um globo com um boneco de neve não é um presente de aniversário. É uma decoração de natal. Uma patética decoração de natal.
“Yeah! Yeah! E ouça isso ele toca musica!” Jack disse, praticamente pulando de excitação quando pegou o globo de mim e apertou um botão na base para que “Frosty the Snowmand” começasse a tocar em notas dolorosas e baratas.
“Obrigado, Jack. É muito bonito,” eu menti.

“Fico feliz que tenha gostado,” Jack disse. “É meio que um tema para o seu aniversário.” Então ele passou seus olhos em Erik e Damien. Os três riram uns para os outros como pequenos garotos travessos.
Eu plantei um sorriso no meu rosto. “Oh, bem, ótimo. Então é melhor abrir o próximo presente.”
“O meu é o próximo!” Damien me entregou uma longa, e leve caixa.
Com um sorriso no lugar, eu comecei a abrir a caixa, embora não pudesse deixar de desejar que pudesse me transformar numa gata, assoviar e sair correndo do aposento.
2° Capítulo
Spoiler:
DOIS“Oooh, é lindo!” eu passei minha mão em cima do dobrado material do cachecol. Chocada por ter ganhado um presente legal.
“É cashemere,” Damien disse feliz.
Eu tirei da caixa, feliz por ser uma chique, cor de creme ao invés de presentes vermelho e verde que eu normalmente ganhava. Então eu congelei, percebendo que fiquei animada cedo demais.
“Vê o boneco de neve costurado nas pontas?” Damien disse. “Não são adoráveis?”
“Yep, adoráveis,” eu disse. Claro – para o natal eles são adoráveis. Para um presente de aniversário, nem tanto.
“Ok, nós somos as próximas,” Shaunee disse, me entregando uma grande caixa embrulhada num papel verde natal.
“E não seguimos o tema do boneco de neve,” Erin disse, franzindo para Damien.
“Yeah, ninguém nos contou,” Shaunee também franziu para Damien.
“Está tudo bem!” eu disse um pouco rápido e entusiasmada demais, e então rasguei o pacote. Dentro havia uma bota de couro preto que seriam incrivelmente chiques, e legais, e fabulosas... se não fosse pelas árvores de Natal, completa com enfeites vermelho e dourado, que estava colocada no lado de cada bota. Isso. Só. Pode. Ser. Usado. No.Natal. O que faz dela definitivamente um presente chato.
“Oh, obrigado.” Eu tentei me emocionar. “Ela é muito fofa.”
“Levou uma eternidade para encontrar,” Erin disse.
“Yeah, botas lisas não dariam para a Srta. Nasceu-dia-24,” Shaunee disse.
“Não, de fato. Botas de couro preto lisas nunca servem,” eu disse, sentindo vontade de chorar.
“Hey, ainda tem mais um presente.”
A voz de Erik me tirou do buraco negro da minha depressão de presentes de natal-aniversário. “Oh, algo mais?” e eu esperei que só eu tivesse escutado o tom que dizia, “Oh, outro trágico não-presente presente?”
“Yeah, mais outra coisa.” Quase bobo, ele me entregou uma caixa bem pequena de forma retangular. “Eu realmente espero que você goste.”
Eu olhei para a caixa antes de a pegar e quase dei um grito de surpresa feliz. Erik estava segurando um presente embrulhado em prata e dourado com um adesivo de uma joalheria no meio. (Eu juro que ouvi um coro de “Aleluia” crescendo em algum lugar no fundo.)
“É da Moody´s*!” Eu soava sem ar, mas não pude me impedir.
(*joalheria)
“Eu espero que você goste,” Erik repetiu, erguendo a mão e oferecendo a pequena caixa prata e dourada como um brilhante tesouro.
Eu rasguei o adorável pacote e expus uma caixa preta de veludo. Veludo. Eu juro. Veludo de verdade. Eu mordi o lábio para me impedir de rir, segurei o fôlego, e a abri.
A primeira coisa que eu vi foi uma corrente de platina. Sem fala devido a felicidade meus olhos seguiram a corrente até as lindas perolas que estavam aninhadas no veludo. Veludo! Platina! Pérolas! Eu suguei o ar para poder começar meu ohmeudeusobrigadoErikvocêéomelhornamoradodomundo quando percebi que as pérolas tinham uma forma estranha. Elas eram defeituosas? A fabulosa e exclusiva joalheria Moody teria roubado meu namorado? E então eu percebi o que estava vendo.
As pérolas tinham a forma de um boneco de neve.
“Você gostou?” Erik perguntou. “Quando eu vi, gritou Aniversário da Zoey para mim, e eu tive que comprar pra você.”
“Yeah. Eu gostei. É, uh, único.” Eu disse.
“Foi Erik que criou o tema de boneco de neve!” Jack disse feliz.
“Bem, não era realmente um tema,” Erik disse, as bochechas ficando um pouco rosas. “Eu só achei que seria diferente, e não como aqueles tipos corações que todo mundo ganha.”
“Yep, corações e coisas assim seria um típico presente de aniversário. Quem iria querer isso?” eu disse.
“Me deixe colocar em você.” Erik disse.
Não tinha nada mais para fazer a não ser tirar meu cabelo do caminho e deixar Erik se aproximar para pegar a delicada corrente ao redor do meu pescoço. Eu podia sentir o boneco de neve pendurado de forma pesado e nojentamente festivo em meu pescoço.
“É fofo,” Shaunee disse.
“E bem caro,” Erin disse. As duas Gêmeas deram os mesmos acenos de aprovação.
“Combina com meu cachecol perfeitamente,” Damien disse.
“E com meu globo de neve!” Jack acrescentou.
“É definitivamente um tema natalino de aniversário,” Erik disse, dando as Gêmeas um tímido olhar, que elas responderam com olhares de perdão.
“Sim, sim, é certamente um tema de Natal,” eu disse, colocando os dedos no boneco de neve de pérolas. Então eu dei a todos um sorriso muito brilhante. “Obrigado, gente. Eu realmente aprecio todo o tempo e esforço que levou para vocês acharem presentes tão especiais. Eu falo sério.” E eu falei sério. Eu posso não gostar dos presentes, mas a intenção por trás deles é totalmente diferente.
Meus amigos absolutamente sem noção, todos se aproximaram e demos um estranho abraço grupal que nos fez rir. Então a porta abriu e a luz do corredor iluminou um cabelo muito grande e loiro.
“Aqui.”
Graças a Deus, meus reflexos transformando-em-vampiro eram muito bons, e eu peguei a caixa que ela me jogou.
“Correspondência chegou para você enquanto estava aqui com seus amigos nerd,” ela disse.
“Vá embora, Afrodite, sua bruxa,” Shaunee disse.
“Antes de jogarmos neve em você e você derreter,” Erin acrescentou.
“Tanto faz,” Afrodite disse. Ela começou a se afastar, mas parou e me deu um grande e inocente sorriso antes de dizer, “Bonito colar de boneco de neve.” Nossos olhos se encontram e eu juro que ela piscou para mim antes de fazer seu cabelo esvoaçar, com sua risada flutuando no ar como uma neblina.
“Ela é totalmente vaca,” Damien disse.
“Era de se imaginar que ela tivesse aprendido sua lição quando você tomou as Filhas Negras dela, e Neferet proclamar que a deusa retirou seus dons de Afrodite,” Erik disse. “Mas a garota nunca vai mudar.”
Eu olhei afiadamente para ele. Assim diz Erik Night, o ex-namorado dela. Eu não precisei dizer as palavras em voz alta. Eu sabia pelo jeito de Erik olhar rapidamente para longe de mim que era fácil ler isso em meus olhos.
“Não deixe ela estragar seu aniversario, Z,” Shaunee disse.
“Ignore a bruxa odiosa. Todo mundo ignora,” Erin disse.
Erin estava certa. Desde que o egoísmo de Afrodite tinha feito ela ser publicamente expulsa da liderança das Filhas Negras, o grupo mais prestigioso da escola, assim como da posição de sacerdotisa em treinamento e líder das Filhas Negras tinha sido dada a mim, ela perdeu sua posição de mais popular e poderosa caloura. Nossa Alta Sacerdotisa, Neferet, que também é minha mentora, deixou claro que nossa deusa, Nyx, retirou seu favor em relação a Afrodite. Basicamente, Afrodite era evitada onde antes ela era colocada num pedestal de popularidade e adoração.
Infelizmente, eu sabia que tinha mais na história do que todo mundo acreditava. Afrodite tinha usado visões, que claramente não tinham sido tiradas dela, para salvar minha avó assim como Heath, meu namorado humano. Claro, ela foi vaca e egoísta durante o salvamento, mas ainda sim. Heath e vovó estavam vivos, e boa parte do crédito por isso ia para Afrodite.
Além do mais, recentemente eu descobri que Neferet, nossa Alta Sacerdotisa – minha mentora, a vampira mais admirada da escola – não era o que ela fingia ser. Na verdade, eu estava começando a acreditar que Neferet era provavelmente tão maldosa quanto poderosa.
Escuridão nem sempre equivale ao mal, assim como luz nem sempre trás o bem. As palavras que Nyx disse para mim no dia que fui Marcada passaram por minha mente, resumindo o problema com Neferet. Ela não era o que parecia ser.
E eu não podia contar a ninguém – ou pelo menos não para alguém vivo (o que me deixa com minha melhor amiga morta viva que eu não consegui falar durante o mês). Graças a Deus, eu também não tinha falado com Neferet no último mês. Ela foi embora para um retiro na Europa e só iria voltar no Ano Novo. Eu achei que ia descobrir um plano sobre como lidar com ela quando ela voltar. Até agora meu plano consistia apenas nisso: bolar um plano. O que não era fácil. Merda.
“Hey, o que tem no pacote?” Jack disse, me tirando do meu pesadelo mental de volta para minha festa de aniversário horrível.
Todos olhamos para o pacote marrom que eu ainda estava segurando.
“Eu não sei,” eu disse.
“Eu aposto que é outro presente de aniversário!” Jack gritou. “Abra!”
“Oh, cara...” eu disse. Mas quando meus amigos me deram olhares confusos eu fique muito ocupada abrindo a caixa. Dentro da caixa havia outra caixa, essa enrolada em um lindo papel cor de lavanda.
“É outro presente de aniversário!” Jack gritou.
“Me pergunto de quem é?” Damien perguntou.
Eu estava imaginando a mesma coisa, e pensando que o papel me lembrava da vovó, que vivia numa incrível fazenda de lavanda. Mas porque ela me enviaria um presente pelo correio quando eu ia encontrar ela mais tarde?
Eu descobri uma suave caixa branca, que eu abri. Dentro havia outra caixa branca muito menos colocada por cima de vários lenços de lavanda. A curiosidade me matando, eu tirei a pequena caixa do ninho de lenços de lavanda. Vários pedaços do papel grudaram devido a eletricidade* no fundo e dos lados da caixa livre, e os tirei antes de abrir. Enquanto eles flutuaram para a mesa eu espiei dentro da caixa e suguei o ar em choque. Na “cama” de algodão branco havia o mais lindo bracelete de prata que eu já vi. Eu o peguei, fazendo barulhinhos devido aos brilhantes pingentinhos.
(*igual quando você esfrega uma caneta e os papeizinhos se grudam nela)
Havia estrelas do mar e conchas e cavalos marinhos, e cada um deles eram separados por adoráveis pequenos corações de prata.
“É absolutamente perfeito!” eu disse, balançando meu pulso. “Eu me pergunto quem pode ter me mandado isso?” Rindo, eu virei meu pulso para cima e para baixo, deixando as luzes que eram tão suaves em nosso olhos sensíveis de calouros tocar a prata polida e fazer um reflexo. “Deve ter sido vovó, mas isso é estranho porque eu vou encontrar ela daqui...,” e eu percebi que todos estavam em um silêncio totalmente, absolutamente desconfortável.
Eu olhei para o meu pulso e depois para meus amigos. Suas expressões passavam de choque (Damien) a irritação (as Gêmeas) para raiva (Erik).
“O que?”
“Aqui,” Erik disse, me entregando um cartão que deve ter caído fora da caixa junto com os lenços.
“Oh,” eu disse, instantaneamente reconhecendo a letra. Oh, diabos! Era do Heath. Mais conhecido como namorado número 2. Enquanto eu li a curta nota eu senti meu rosto ficar cada vez mais vermelho e eu sabia que estava numa cor totalmente nada atraente de vermelho brilhante.

Zo – FELIZ ANIVERSÁRIO!
Eu sei o quanto você odeia aqueles horríveis presentes que tentam juntar o seu aniversário com o natal, então te mandei algo que eu sei que você vai gostar. Hey! Não tem nada a ver com natal! Duh! Estou odiando essa estúpida Ilha e as férias chatas com meus pais e estou contado os dias até poder ficar com você de novo. Te vejo no dia 26! Eu te amo!
Heath.

“Oh,” eu repeti como uma total retardada. “É, uh, do Heath.” Eu queria poder desaparecer.
“Por favor. Apenas por favor. Porque você não disse a alguém que não gosta de presentes de aniversário que tem a ver com Natal?” Shaunee disse em seu jeito direto.
“Yeah, tudo que você tinha que fazer era dizer algo,” Erin disse.
“Uh,” eu disse sucintamente.
“Pensamos que o tema do boneco de neve era uma idéia fofa, mas não é se você odeia coisas de natal,” Damien disse.
“Eu não odeio coisas de natal,” eu consegui dizer.
“Eu gosto de globos de neve,” Jack disse suavemente, parecendo prestes a chorar. “A parte da neve me faz feliz.”
“Parece que Heath sabe mais do que você gosta do que nós.” A voz de Erik era chata e sem emoção, mas seus olhos eram negros e magoados, o que fez meu estômago se apertar.
“Não, Erik, não é assim,” eu disse rapidamente, dando um passo em direção a ele.
Ele se afastou como se eu tivesse alguma terrível doença que ele podia pegar, e de repente eu fiquei fula. Não era minha culpa Heath me conhecer desde a terceira série e ter descoberto o problema com presentes de natal-aniversário anos atrás. Ok, sim, ele sabia coisas sobre mim que o resto deles não sabia. Não havia nada estranho nisso! O cara estava na minha vida a 7 anos. Erik e Damien, as Gêmeas e Jack estavam na minha vida a dois meses – ou menos. Como isso é minha culpa?
Propositalmente, eu olhei para o meu relógio de forma que todos pudessem ver. “Eu deveria me encontrar com vovó na Starbucks em 15 minutos. É melhor não me atrasar.” Eu andei até a porta, mas parei antes de sair da biblioteca. Eu virei e olhei para meus amigos. “Eu não queria magoar ninguém. Eu sinto muito se o bilhete de Heath fez vocês se sentirem mal – mas isso não é minha culpa. E eu contei a alguém que eu não gosto quando as pessoas juntam meu aniversário com o natal – eu contei para Stevie Rae.”
3° Capítulo
Spoiler:
TRÊS
A Starbucks na Utica Square, o legal shopping ao ar livre que era logo na rua debaixo da House of Night, estava muito mais cheia do que achei que estaria. Quero dizer, era uma rara noite quente de inverno, mas também era 24 de dezembro, e quase 9 da noite. É de se imaginar que as pessoas estariam em casa se preparando para visões de bombons e uma coisa qualquer, e não procurando por café.
Não, eu disse a mim mesma firmemente, eu não vou estar de mal humor para falar com vovó. Eu mal a vejo, e não vou estragar o pouco tempo que temos juntas. Além do mais, vovó sabia do fato de que presentes de aniversário natalinos são totalmente chatos. Ela sempre me compra algo tão único e maravilhoso quanto ela.
“Zoey! Estou aqui!”
Na parte mais distante da Starbucks na área da calçada eu podia ver os braços da vovó acenando para mim. Dessa vez não tive que plantar um sorriso falso. A onda de felicidade de ver ela sempre me trazia um sorriso autêntico e eu estava me esquivando na multidão para me apressar até ela.
“Oh, Zoeybird! Eu senti sua falta, U-we-tsi-a-ge-ya!" A palavra Cherokee para palavra filha se enrolou ao meu redor, junto com os braços quentes e familiares de vovó, que tinham o doce, e suave cheiro de lavanda e de casa. Eu me segurei nela, absorvendo amor, segurança e aceitação.
“Eu senti sua falta, vovó.”
Ela me apertou mais uma vez e então me afastou um pouco. “Me deixe olhar para você. Sim, eu posso perceber que tem 17 anos. Você parece tão mais madura, e eu acho que um pouco mais alta do que quando você tinha 16.”
Eu ri. “Oh, vovó, você sabe que eu não estou diferente.”
“É claro que está. Idade sempre acrescenta beleza e força para um certo tipo de mulher – e você é esse tipo.”
“E você também, vovó. Você está ótima!” Eu não estava só dizendo por dizer. Vovó tinha um zilhão de anos – pelo menos uns 50 e poucos – mas ela parecia muito jovem para mim. Ok, não muito jovem como uma mulher vampira que parece ter vinte e poucos quando tem 50 e poucos (ou cento e cinqüenta e poucos). Ela era uma adorável humana jovem com seu grosso cabelo prateado e seus gentis olhos marrons.
“Eu queria que você não tivesse que cobrir suas adoráveis tatuagens aqui.” Os dedos de vovó descansaram brevemente na minha bochecha onde passei a concentrada maquiagem que calouros tinham que usar sempre que saíssem do campus da House of Night. Sim, humanos sabiam que vampiros existem – vampiros adultos não se escondiam. Mas as regras para calouros eram diferentes. Eu suponho que faça sentido – adolescentes nem sempre lidam bem com conflitos – e os humanos tendem a ter conflitos com vampiros.
“É assim que funciona. Regras são regras, vovó,” eu dei nos ombros.
“Você não cobriu as lindas Marcas no seu pescoço e ombros, cobriu?”
“Não, é por isso que estou usando essa jaqueta.” Eu olhei ao redor para me certificar de que ninguém estava olhando para nós, então afastei meu cabelo e abaixei o ombro da minha jaqueta para que as linhas safiras do meu pescoço e ombros ficasse visível.
“Oh, Zoeybird, é mágico,” vovó disse suavemente, “estou tão orgulhosa pela deusa ter Escolhido você como especial e tenha te Marcado de forma tão única.”
Ela me abraçou de novo, e eu me segurei nela, incrivelmente feliz por ter ela em minha vida. Ela me aceitava pelo que eu era. Não importava para ela que eu estava virando uma vampira. Não importava para ela que eu já estava experimentando ânsia por sangue e que eu tinha o poder de manifestar os cinco elementos: ar, fogo, água, terra, e espírito. Para vovó, eu era sua verdadeira u-we-tsi-a-ge-ya, a filha do seu coração, e todo o resto que vinha comigo era só coisas secundarias. Era estranho e maravilhoso que ela e eu pudéssemos ser tão intimas e tão parecidas quando sua filha verdadeira, minha mãe, era tão completamente diferente.
“Aí está você. O trânsito estava horrível. Eu odeio deixar Broken Arrow e lutar pra chegar a Tulsa durante o movimento do feriado.”
Como se meus pensamentos de alguma forma tragicamente a tivessem conjurado, a voz da minha mãe jogou água fria na minha felicidade. Vovó e eu nos soltamos para ver minha mãe parada perto da nossa mesa, segurando uma caixa retangular de padaria e um presente embrulhado.
“Mamãe?”
“Linda?”
Vovó e eu falamos juntos. Não foi surpresa vovó parecer tão chocada quanto eu pelo aparecimento repentino da minha mãe. Vovó nunca teria convidado minha mãe sem me dizer. Nós duas tínhamos a mesma imagem da minha mãe. Ela nos fazia triste. E nós desejávamos que ela mudasse. Mas sabíamos que ela provavelmente não mudaria.
“Não fiquem tão surpresas. Como se eu não fosse aparecer para a celebração do aniversário da minha própria filha?”
“Mas, Linda, quando falei com você semana passada você disse que ia mandar o presente de aniversário de Zoey pelo correio.” Vovó disse, parecendo tão incomodada quanto eu me sentia.
“Isso foi antes de você dizer que ia encontrar ela aqui.” Minha mãe disse a vovó, então ela franziu para mim. “Não é como se Zoey tivesse me convidado, mas estou acostumada a ter uma filha que não me considera.”
“Mãe, você não fala comigo a um mês. Como eu poderia convidar você para qualquer lugar?” Eu tentei manter meu tom neutro. Eu realmente não queria que a visita de vovó deteriorasse em uma enorme cena dramática, mas minha mãe não tinha dito 10 frases e já estava me irritando. A não ser pelo estúpido cartão de natal-aniversário que ela me mandou, a única comunicação que eu tive com minha mãe foi quando ela e seu horrível marido, o padrasto-perdedor, tinham vindo para a visitação dos pais na House of Night um mês atrás. E foi um pesadelo. O padrasto-perdedor, que era um ancião da Igreja das Pessoas da Fé, foi como sempre uma mente pequena, julgador, teimoso e tinha terminado basicamente sendo expulso e avisado para nunca mais voltar. Como sempre, minha mãe tinha ido junto com ele como uma boa esposa submissa.
“Você recebeu meu cartão?” O tom amargo da minha mãe começou a afetar meu olhar firme.
“Sim, mãe. Recebi.”
“Vê, eu estive pensando em você.”
“Ok, mãe.”
“Sabe, você poderia ligar para sua mãe de vez em quando,” ela disse um pouco chorosa.
Eu suspirei. “Desculpe, mãe. A escola tem estado uma loucura com as provas de fim de semestre tudo mais.”
“Espero que você esteja tirando boas notas naquela escola.”
“Estou, mãe.” Ela me fez sentir triste e sozinha e com raiva ao mesmo tempo.
“Bem, ótimo.” Minha mãe limpou suas lágrimas e começou a mexer no pacote que ela trouxe. Com uma voz obviamente forçada de alegria ela disse, “Anda, vamos sentar. Zoey, você entra na Starbucks e pega algo para gente beber em um minuto. É uma boa coisa sua avó ter me convidado. Como sempre, mais ninguém pensou em trazer um bolo.”
Nós sentamos e minha mãe lutou com a fita adesiva na caixa da padaria. Enquanto ela estava ocupada, vovó e eu dividimos um olhar de completo entendimento. Eu sabia que ela não tinha convidado minha mãe, e ela sabia que eu absolutamente odiava bolo de aniversário. Especialmente do tipo barato e super açucarado que minha mãe sempre pedia.
Com uma horrível fascinação geralmente reservada para olhar para acidentes de carro eu vi mamãe abrir a caixa da padaria e revelar um pequeno bolo quadrado com apenas uma camada. O genérico Feliz Aniversário estava escrito em vermelho, que combinava com os copos-de-leite em cada canto. Açúcar cristalizado cobria o negócio todo.
“Não parece bom? Bonito e natalino,” mamãe disse enquanto tentava tirar o adesivo de metade do preço da caixa. Então ela congelou e olhou para mim com olhos bem abertos. “Mas você não celebra mais natal, celebra?”
Vovó explicou antes que eu. “Linda, Yule era celebrado muito antes do natal. Pessoas antigas decoravam árvores de natal,” ela disse a palavra com uma entonação levemente sarcástica, “a centenas de anos. Foram os cristão que adpataram suas tradições dos Pagãos, não ao contrário. Na verdade, a Igreja escolheu o dia 25 de dezembro para a data do nascimento de Jesus para que conhecidisse com a data de Yule. Se você lembrar, o tempo todo que você estava crescendo passávamos manteiga de amendoim, pendurávamos maças e pipoca e amoras juntas, e decorávamos uma árvore do lado de fora que sempre era chamada de árvore Yule, junto com nossa árvore de natal do lado de dentro.” Vovó deu um sorriso meio triste, meio confuso, para sua filha antes de se virar para mim. “Então vocês decoraram as árvores no campus?”
Eu acenei. “Yeah, elas estão incriveis, e as aves e os esquilos estão completamente loucos também.”
“Bem, porque você não abre nossos presentes, então podemos comer bolo e tomar café?” Minha mãe disse, agindo como se vovó e eu não tivéssemos falado.
Vovó falou polidamente. “Sim, eu estava ansiosa para te dar isso já faz um mês.” Ela se inclinou e tirou dois presentes do lado dela da mesa. Um era grande e tentador com brilhantes e coloridos (e definitivamente não natalino) papel de embrulho. O outro era do tamanho de um livro e estava coberto por um papel creme que você encontra em uma boutique chique. “Abra esse primeiro.” Vovó empurrou o maior presente para mim e eu ansiosamente o desembrulhei para encontrar a magica da minha infância embaixo dele.
“Oh, vovó! Muito obrigado!” eu pressionei meu rosto na brilhante lavanda que ela plantou em um vaso púrpura e inalei. O aroma da incrível erva trouxe lembranças dos verões preguiçosos e os dias de piquenique com vovó. “É perfeito,” eu disse.
“Eu tive que correr na estufa para que ela florescesse para você. Oh, e você vai precisar disso.” Vovó me deu uma grande sacola. “Tem uma lâmpada para crescimento e um suporte para você ter certeza que ela receba luz suficiente sem ter que abrir as cortinas do seu quarto e machucar seus olhos.”
Eu ri para ela. “Você pensa em tudo.” Eu olhei para minha mãe, e vi que ela tinha aquele olhar em branco no rosto que eu sabia significava que ela queria estar em outro lugar. Eu queria perguntar porque ela se incomodou em vir, mas dor fechou minha garganta, o que me surpreendeu. Eu pensei ter crescido além da habilidade dela de me magoar. Parece que na verdade ter 17 anos não é ser tão velha quanto eu imaginava.
“Aqui, Zoeybird, eu te comprei outra coisa,” vovó disse, me entregando o presente embrulhando com o papel chique. Eu pude ver que ela começou a notar o silêncio de pedra da minha mãe e, como sempre, ela estava tentando me recompensar por sua filha.
Eu engoli o nó na minha garganta e desembrulhei o presente que revelou um livro com capa de couro que era obviamente antigo e sujo. Então notei o titulo e arfei. “Drácula. Você me comprou uma antiga edição de Drácula!”
“Olhe para a página dos direitos autorais, querida,” vovó disse, os olhos brilhante de deleite.
Eu virei a página de publicação e não podia acreditar no que vi. “Ohmeudeus! É a primeira edição!”
Vovó riu feliz. “Vire algumas páginas.” Eu virei, e encontrei a assinatura de Stoker embaixo da página do titulo datado de janeiro, 1899.
“É uma primeira edição autografada! Deve ter custado um zilhão de dólares!” Eu joguei meus braços para cima e abracei vovó.
“Na verdade, eu encontrei numa velha livraria que estava falindo. Foi uma barganha. Só é a primeira edição da publicação americana de Stoker.”
“É legal muito além do possível, vovó! Muito obrigado.”
“Bem, eu sei o quanto você gosta dessa assustadora antiga história, e devido aos recentes eventos eu achei que seria ironicamente engraçado para você ter uma edição autografada,” vovó disse.
“Você sabia que Bram Stoker teve um Imprint com uma vampira, e que é por isso que ele escreveu o livro?” eu disse enquanto com-muito-cuidado virava as páginas do grosso livro, observando as velhas ilustrações, que eram, de fato, assustadoras.
“Eu não fazia idéia que Stoker teve uma relação com uma vampira,” vovó disse.
“Eu não chamaria ser mordido por uma vampira e então ser colocado sob um feitiço de relação,” minha mãe disse.
Minha avó e eu olhamos para ela. Eu suspirei. “Mãe, é muito possível para um vampiro e um humano terem uma relação. Isso é o que é o Imprint.” Bem, também tinha a ver com ânsia por sangue e um sério desejo, junto com um link psíquico que podia ser desconcertante, tudo pelo qual eu conhecia por minha própria experiência com Heath. Mas eu não ia mencionar isso para minha mãe.
Minha mãe tremeu como se algo nojento tivesse passado seus dedos pela espinha dela. “Parece nojento para mim.”
“Mãe. Você não entende que só existem duas escolhas bem especificas para o meu futuro? Uma seria eu me tornar a coisa que você diz ser nojenta. A outra é que nos próximos quatro anos eu vou morrer.” Eu não queria entrar nisso com ela, mas a atitude dela estava me irritando seriamente. “Então você prefere me ver morta ou uma vampira adulta?”
“Nenhum dos dois, é claro,” ela disse.
“Linda,” vovó pôs uma mão na minha perna debaixo da mesa e apertou. “O que Zoey está dizendo é que você precisa aceitar ela e seu novo futuro, e que sua atitude está magoando ela.”
“Minha atitude!” eu pensei que minha mãe ia começar com uma das suas tiradas sobre “porque você está sempre me enchendo,” mas ao invés disso ela me surpreendeu por respirar fundo e então me olhar diretamente nos olhos. “Eu não quero te magoar, Zoey.”
Por um segundo ela parecia como antigamente, como a mãe que ela era antes de casar com John Haffer e virar a Perfeita Esposa da Igreja, e eu senti meu coração se apertar. “Mas você me magoa, mãe.” Eu me ouvi dizer.
“Desculpe,” ela disse. Então ela estendeu sua mão até mim.
“Que tal tentarmos essa coisa de aniversário de novo?”
Eu pus minha mão na dela, me sentindo cuidadosamente esperançosa. Talvez parte da minha antiga mãe estivesse dentro dela. Quero dizer, ela veio sozinha, sem o padrasto-perdedor, o que era bem perto de um milagre. Eu apertei a mão dela e sorri. “Parece bom para mim.”
“Bem, então, você deveria abrir seu presente e vamos comer bolo,” Minha mãe disse, deslizando a caixa que estava perto do ainda intocado bolo.
“Ok!” Eu tentei manter um entusiasmo na minha voz, embora o presente estivesse enrolado com um papel coberto de uma cena nativa verde. Meu sorriso se manteve até que reconheci a capa branca de couro e as letras douradas. Com meu coração afundando no estômago, eu virei o livro e li: O mundo sagrado, Edição das Pessoas da Fé escrito com a letra cursiva dourada na capa. Outro brilho excessivo chamou minha atenção. Na parte debaixo da capa estava escrito, A Família Heffer. Havia um marcador de texto de veludo vermelho com uma franja dourada presa dentro das primeiras páginas do livro e, tentando conseguir tempo para pensar em algo para dizer a não ser “esse é um presente maravilhoso,” eu deixei as páginas abrirem ali. Então eu pisquei, esperando que o que eu estava lendo fosse só um truque do meu olho. Não. Estava realmente ali. O livro abriu na árvore da família. No terceiro dorso do lado esquerdo escrito no que eu facilmente reconheci com a letra do meu padrasto-perdedor, o nome da minha mãe LINDA HEFFER foi acrescentado. Uma linha tinha sido desenhada para ligar ela a JOHN HEFFER, com a data do casamento deles do lado, embaixo do nome deles, escrito como se tivéssemos nascido deles, estavam os nomes do meu irmão, minha irmã, e eu.
Ok, meu pai biológico, Paul Montgomey, nos abandonou quando eu era só uma criança e tinha desaparecido da face da terra. De vez em quando uma pateticamente pequena pensão chegava dele sem endereço para devolução, mas fora esses raros instantes, ele não era parte da nossa vida a 10 anos. Sim, ele era um péssimo pai. Mas ele era meu pai, e John Heffer, que eu seriamente odiava, não era.
Eu olhei da falsa árvore genealógica para os olhos da minha mãe. Minha voz soava surpreendentemente firme, até mesmo calma, mas dentro de mim eu era uma bagunça de emoções. “O que você estava pensando quando decidiu me dar esse presente?”
Ela pareceu incomodada com minha pergunta. “Estávamos pensando que você gostaria de saber que ainda é parte dessa família.”
“Mas eu não sou. Eu não sou a um longo tempo, antes até de ser Marcada. Você sabe disso e eu sei disso e John sabe disso.”
“Seu pai certamente na o –”
Eu levantei minha mão para cortar ela. “Não! John Heffer não é meu pai. Ele é seu marido, e isso é tudo que ele é. Sua escolha – não minha. Isso é tudo que ele sempre foi.” As palavras que estavam saindo de dentro de mim desde quando minha mãe apareceu saíram e uma hemorragia de raiva passou pelo meu corpo. “Esse é o negócio, mãe. Quando você comprou meu presente você deveria estar escolhendo algo que achasse que eu iria gostar, não algo que seu marido queria enfiar na minha goela abaixo.”
“Você não sabe o que está falando, mocinha,” minha mãe disse. Então ela olhou para vovó. “Ela puxou essa atitude de você.”
Minha avó ergueu uma sobrancelha prateada para a filha e disse, “Obrigado, Linda, essa pode ter sido a coisa mais gentil que você já me disse.”
“Onde ele está?” Eu perguntei a minha mãe.
“Quem?”
“John. Onde ele está? Você não veio aqui por mim. Você veio aqui porque ele queria que você me fizesse sentir mal, e isso não é algo que ele iria perder. Então onde ele está?”
“Eu não sei do que você está falando.” Os olhos dela passaram ao redor de forma culpada, e eu sabia que tinha adivinhado certo.
Eu levantei e chamei da calçada. “John! Apareça, apareça de onde estiver!”
Certa, um homem saiu do balcão que estava no lado oposto da calçada perto da entrada da Starbucks. Eu o estudei enquanto ele andava até nós, tentando entender o que minha mãe tinha visto nele. Ele era um cara totalmente nada espetacular. Altura média – cabelo escuro e ficando cinza – um queixo fraco – ombros estreitos – pernas finas. Não era até você olhar nos olhos dele que você via algo raro, e então o que se revelava era uma ausência de calor. Eu sempre achei estranho um cara tão frio e sem alma falar sobre religião.
Ele alcançou nossa mesa e começou a abrir a boca, mas antes de falar eu joguei meu “presente” nele.
“Fique com ele. Não é minha família nem minhas crenças,” eu disse, olhando para ele com sinceridade nos olhos.
“Então você está escolhendo o mal e a escuridão,” ele disse.
“Não, estou escolhendo uma deusa amorosa que me Marcou como igual e me deu poderes especiais. Eu escolho um caminho diferente do seu. É só isso.”
“Como eu disse, você escolhe o mal.” Ele pôs as mãos nos ombros da minha mãe, como se ela precisasse do apoio dele para ser capaz de ficar sentada ali. Ela cobriu as mãos dele com as dela e fez sons de fungo.
Eu o ignorei e me centrei nela.
“Mãe, por favor não faça isso de novo. Se você me aceitar, e realmente quiser me ver, então ligue e nos encontraremos. Mas fingir que quer me ver por que John te diz o que fazer para me magoar não é bom para nenhuma de nós.”
“É bom para uma esposa ser submissa a seu marido,” John disse.
Eu pensei em mencionar sobre o quanto chauvinista e machista e errado ele soava, mas ao invés disso eu decidi não desperdiçar saliva e disse, “John vai pro inferno.”
“Eu queria que você desse as costas para o mal,” minha mãe disse, chorando suavemente.
Minha avó falou. A voz dela era triste mas firme. “Linda é uma infelicidade que você tenha encontrado e então caído completamente no sistema de crenças que insiste que diferente significa mal.”
“O que sua filha encontrou é Deus, não graças a você.” John surtou.
“Não. Minha filha encontrou você, e é triste, mas a verdade, é que ela nunca gostou de pensar por si. Agora você está pensado por ela. Mas aqui está um pequeno pensamento independente que Zoey e eu gostaríamos de deixar com você,” vovó continuou falando enquanto pegou a lavanda e a primeira edição de Dracula, e então pegou meu cotovelo e me levantou. “Aqui é a América, e isso significa que você não tem o direito de pensar pelo resto de nós. Linda, eu concordo com Zoey. Se você encontrar algum senso na sua cabeça e quiser nos ver porque nos ama como te amamos, então me ligue. Se não, eu não quero mais ouvir falar de você.” Vovó pausou e balançou a cabeça enojada para John. “E você, eu não quero mais ouvir falar de você, não importa o que.”
Enquanto nos afastávamos, a voz de John foi até nós, afiada e cortada com ódio e raiva. “Oh, você vai ouvir de mim de novo. As duas vão. Há muitas pessoas boas, decentes e tementes a Deus que estão cansadas de tolerar o mal de vocês, que acreditam que chega é chega. Não iremos viver lado a lado com adoradores da escuridão por muito mais tempo. Marque minhas palavras... espere e verão... e dessa vez vão se arrepender...”
Graças a Deus, logo estavamos além do alcance da voz dele. Eu senti que ia chorar até perceber o que minha doce e velha avó estava murmurando para si mesma.
‘Aquele homem é uma droga de um cocô de macaco.”
“Vovó!” eu disse.
“Oh, Zoeybird, eu chamei o marido da sua mãe de droga de cocô de macaco em voz alta?”
“Sim, vovó, você chamou.”
Ela olhou para mim, e seus olhos escuros brilharam. “Ótimo.”

Beatriz
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Re: Escolhida - P.C. Cast e Kristin Cast online

Mensagem por Beatriz em 27/06/12, 02:52 pm

4° Capítulo
Spoiler:
QUATRO
Vovó tentou salvar o resto da celebração do meu aniversário. Andamos pela Utica Square até o Restaurante Stonehorse, onde decidimos comer um bolo de aniversário descente. O que significa que vovó tomou duas taças de vinho tinto e eu tomei uma coca com um enorme, e grudento pedaço de bolo do diabo. (Sim, nós gostamos da ironia.)
Vovó não tentou fabricar alguma porcaria de desculpa sobre a minha mãe não ter falado sério... ela vai dar a volta por cima... só dê a ela tempo... blá... blá... blá. Vovó foi muito mais pratica e muito mais legal que isso.
“Sua mãe é uma mulher fraca que só consegue encontrar identidade através de um homem,” ela disse enquanto tomava um gole de vinho. “Infelizmente, ela escolheu um péssimo homem.”
“Ela nunca vai mudar, vai?”
Vovó tocou minha bochecha gentilmente. “Ela pode, mas eu honestamente duvido, Zoeybird.”
“Eu gosto que você não minta para mim, vó,” eu disse.
“Mentir não conserta as coisas. Nem facilita as coisas, pelo menos não a longo prazo. Melhor falar a verdade e então limpar uma honesta confusão.”
Eu suspirei.
“Querida, você tem uma confusão que precisa limpar?” Vovó perguntou.
“Yeah, mas infelizmente não é uma honesta.” Eu dei a vovó um sorriso envergonhado e contei a ela sobre a minha desastrosa festa de aniversário.
“Sabe, você vai ter que dar um jeito nesse problema com namorado. Heath e Erik não vão agüentar um ao outro por muito tempo.” Ela levantou seus dedos, medindo um centímetro junto a palavra “muito tempo.”
“Eu vou, mas Heath esteve no hospital por quase uma semana depois de todo o problema do serial killer que eu o salvei, e então seus pais o levaram para as Ilhas Cayman para as férias de Natal. Eu não o vejo a um mês. Então não tive chance para resolver os problemas sobre Heath e Erik.” Eu me concentrei em raspar o fundo do prato ao invés de olhar para vovó. O “todo o problema do serial killer” era mentira. Eu salvei Heath, mas não foi de algum humano maluco. Eu o salvei de um grupo de criaturas que minha melhor amiga, a morta viva Stevie Rae, foi (e provavelmente ainda é) a líder. Mas eu não podia contar a vovó isso. Eu não podia contar a ninguém, porque atrás disso estava a Alta Sacerdotisa da House of Night, minha mentora, Neferet, e ela é psíquica demais para o meu próprio bem. Ela parece não conseguir ler minha mente, pelo menos não muito bem, mas se eu conto a alguém – ela lê a mente dele – e ficamos com muitos problemas.
Em falar em estresse.
“Talvez você devesse ir para casa e resolver,” vovó disse. Então, quando ela viu meu olhar assustado ela acrescentou, “Quero dizer, resolver seus problemas com o presente de natal-aniversário, com Heath e Erik.”
“Oh, ótimo. Yeah, eu deveria fazer isso.” Eu parei, pensando sobre o que ela tinha dito. “Sabe, ela realmente se transformou em casa.”
“Eu sei.” Ela sorriu. “Estou feliz por você. Você está encontrando seu lugar, Zoeybird, e estou orgulhosa de você.”
Vovó me levou até onde eu estacionei o antigo VW Fusca, e me abraçou dando tchau. Eu a agradeci por seus grandes presentes de novo, e nenhuma de nós mencionou minha mãe. Isso é algo que não faz bem nenhum comentar. Eu disse a vovó que eu ia voltar para a House of Night para consertar as coisas com meus amigos, e falei sério. Mas ao invés disso eu me descobri dirigindo para o centro. De novo.
No último mês toda a noite que eu podia dar uma desculpa esfarrapada para sair sozinha, eu andei assombrando as ruas do centro de Tulsa. Assombrando... eu bufei para mim mesma. Essa era uma excelente palavra para usar em minha busca por minha melhor amiga, Stevie Rae, que morreu a um mês atrás, e se tornou uma morta viva.
Sim, era tão estranho quanto soava.
Calouros morrem. Todos sabemos disso. Eu testemunhei a morte de dois dos três que morreram desde que estive na House of Night. Ok, então todos sabíamos que podíamos morrer. O que ninguém sabia era que os últimos três calouros que morreram foram ressucitados, ou reviveram, ou... diabos! Eu suponho que um jeito fácil de descrever é que eles se transformaram nos estereotipo dos vampiros: vivos mortos que são monstros que sugam sangue sem humanidade. E todos cheiram mal, também.
Eu sabia porque tinha tido o azar para ver o que primeiro eu achei que fosse o fantasma dos dois calouros que morreram. Então adolescentes humanos começaram a ser mortos, e parecia que alguém estava tentando fazer parecer que um vampiro era o assassino. Isso foi uma droga, especialmente porque eu conhecia os dois primeiros garotos que foram mortos, e a atenção da policia se voltou para mim por um tempo. O que foi ainda pior era que Heath foi o terceiro humano a ser seqüestrado.
Bem, eu não podia deixar ele ser morto. Além do mais, nós meio que acidentalmente tivemos um Imprint. Com a ajuda de Afrodite eu descobri como seguir o Imprint até Heath. A policia achou que eu resgatei um bem acabado Heath de um humano serial killer.
O que eu realmente tinha descoberto?
Minha amiga morta viva e seus nojentos seguidores. Eu tirei Heath de lá (o “lá” eram os velhos túneis proibidos no centro, embaixo do abandonando depósito de Tulsa) e confrontei Stevie Rae. Ou o que sobrou dela.
Vê, um problema era que eu não acreditava que toda a humanidade dela tinha sido destruída, como parecia ter acontecido com os outros mortos vivos e muito nojentos ex-calouros que estavam tentando se alimentar de Heath.
O segundo problema era Neferet. Stevie Rae me disse que ela era a responsável por aquilo. Eu sabia que era verdade porque Neferet colocou um horrível feitiço em Heath e eu logo depois da policia aparecer. Ele deveria nos fazer esquecer tudo que tinha acontecido nos túneis. Eu acho que funcionou com Heath. Só funcionou comigo temporariamente. Eu usei o poder dos cinco elementos para quebrar o feitiço em mim.
Então, resumindo. Desde então eu estava preocupada com o que diabos eu ia fazer sobre: um, Stevie Rae; dois, Neferet; três, Heath. Pode parecer que nenhuma das minhas preocupações esteve por perto no ultimo mês, mas não ajudou.
“Certo,” eu disse em voz alta, “é meu aniversário, e que aniversário de merda ele foi, até mesmo para mim. Então, Nyx, só vou pedir para você um favor de aniversário. Eu quero encontrar Stevie Rae.” Eu adicionei com pressa “por favor.” (Como Damien teria me lembrado, quando falar com a deusa é melhor ser educada.)
Eu não esperava nenhum tipo de resposta, então quando as palavras abaixe sua janela, continuou indo ao redor da minha mente, eu pensei que eram as letras de uma música do rádio. Mas meu rádio não estava ligado, e as palavras não tinham nenhuma música com elas – além do mais, elas estavam dentro da minha cabeça e não saindo do meu rádio.
Me sentindo mais do que um pouco nervosa em abaixei minha janela.
Esteve raramente quente a semana toda. Hoje o pico foi 15 graus, o que era estranho para o dezembro, mas era Oklahoma, e estranho era só outra palavra para o tempo de Oklahoma. Ainda sim, era perto da meia noite e a noite definitivamente esfriava. Não que me incomodasse. Vampiros adultos não sentem o frio na mesma intensidade que os humanos. Não, não é porque eles são pedaços frios e mortos de carne reanimada (eesh, mais pode ser o que Stevie Rae é). É porque o metabolismo deles é muito diferente dos humanos. Como uma caloura, especialmente que é mais avançada que a maior parte dos garotos que foram marcados a apenas dois meses, minha resistência para o frio já era muito melhor que de garotos humanos. Então o ar frio entrando no meu Fusca não me incomodou, o que foi estranho porque de repente eu comecei a espirrar e me sentir meio assustada.
Uhg, o que era esse cheiro? Era como um porão com fungos e salada de ovo que não foi refrigerada rápido o bastante e sujeira tudo misturado junto para fazer um nojento perfume que era nojentamente familiar.
“Ah, diabos!” Eu percebi o que estava sentindo e passei meu Fusca por um beco para estacionar um pouco ao norte da estação de ônibus do centro. Mal demorei para fechar minha janela e fechar a porta (eu morreria se minha primeira edição de Drácula fosse roubada) antes de sair do carro e correr para calçada onde fiquei bem parada e cheirei o ar. Eu senti o cheiro imediatamente. Ugh. Era horrível demais para ignorar. Era muito horrível para ignorar. Ainda cheirando como um cão retardado, eu comecei a seguir meu nariz pela calçada para longe das confortáveis luzes da estação de ônibus.
Eu a encontrei em um beco. Primeiro eu achei que ela estava inclinada por cima de uma enorme sacola cheia de lixo e meu coração se apertou. Eu tinha que tirar ela desse tipo de vida – eu tinha que descobrir um jeito de manter ela segura até essa coisa horrível que aconteceu com ela ser consertada. Ou ela precisa morrer de uma vez por todas. Não! Eu fechei minha mente para esse tipo de pensamento. Eu vi Stevie Rae morrer uma vez. Eu não ia fazer isso de novo.
Mas antes de poder chegar até ela e a envolver em meus braços (enquanto segurava a respiração) e dizer a ela que tudo ficaria bem, o lixo se gemeu e se mexeu e eu percebi que Stevie Rae não estava cavando dentro de um lixo, ela estava mordendo um sem teto no pescoço!
“Oh, deus! Jessh, dá pra parar!”
Com uma velocidade nada humana, Stevie Rae virou. O sem teto caiu no chão, mas Stevie Rae se manteve segurando um dos pulsos sujos dele. Os dentes cerrados e olhos brilhando em um tom muito assustador de vermelho ela assoviou para mim. Eu estava enojada demais para ficar assustada ou até mesmo surtar. Além do mais, eu acabei de ter um terrível aniversário e as pessoas, mesmo a minha melhor amiga morta viva, estavam me irritando.
“Stevie Rae, sou eu. Dá pra parar com essa merda. Além do mais, é um ridículo clichê vampiro.”
Ela não disse nada por um segundo, e eu tive o terrível pensamento de que ela poderia de alguma forma ter deteriorado no mês desde que eu a vi, a um ponto em que ela ficou praticamente igual ao resto deles – bestial e inalcançável. Meu estômago deu uma virada dolorosa, mas eu encontrei os olhos vermelhos dela e virei os meus. “E, por favor, você está fedendo. Não tem chuveiros na Terra Assustadora dos Mortos Vivos?”
Stevie Rae franziu, o que foi uma melhora, porque os lábios dela cobriram seus dentes. “Vá embora, Zoey,” ela disse.
A voz dela era fria e chata, fazendo o que costumava ser um doce sotaque Okie soar como rouco, mas ela disse meu nome, o que era todo o encorajamento que eu precisava.
“Não vou a lugar nenhum até conversarmos. Então solte o sem teto – eesh, Stevie Rae, ele provavelmente tem piolho e quem sabe o que mais – e vamos conversar.”
“Se você quer conversar vai ter que esperar eu terminar de comer.” Stevie Rae colocou sua cabeça de lado em um movimento que parecia de um inseto. “Se eu não me lembro que você teve um Imprint com seu pequeno brinquedinho humano? Me parece que você também gosta de sangue. Quer se juntar a mim?” Ela sorriu e lambeu as presas.
“Ok, nojento, apenas nojento! E para sua informação Heath não é meu brinquedinho. Ele é meu namorado, ou um deles pelo menos. Eu suguei o sangue dele por acidente. Eu ia te contar, mas você morreu. Então, não. Eu não quero morder essa pessoa. Eu nem sei onde ela andou.” Eu dei a pobre, mulher com olhos bem abertos e cabelo desarrumado um fraco sorriso. “Uh, sem ofensa, senhora.”
“Ótimo. Mais para mim.” Stevie Rae começou a se curvar de volta para a garganta da mulher.
“Pare!”
Ela olhou por cima dos ombros para mim. “Como eu disse, vá embora, Zoey. Você não pertence aqui.”
“Nem você,” eu disse.
“Isso é só uma das muitas coisas em que você está errada.”
Quando ela virou de volta para a mulher, que agora estava chorando e repetindo “por favor, oh por favor” de novo e de novo, eu dei alguns passos para frente e levantei minhas mãos por cima da cabeça. “Eu disse para soltar ela.”
A resposta de Stevie Rae foi assoviar e abrir sua boca para sugar o pescoço da mulher. Eu fechei meus olhos e rapidamente me concentrei. “Ar, venha até mim!” eu comandei. Eu circulei uma mão na minha frente, imaginando um mini-tornado. Eu abri meus olhos quando virei meu pulso e joguei o poder do ar em direção a chorosa sem teto. Exatamente como eu tinha imaginado, o ar a cercou, e mal tocou em um fio de cabelo de Stevie Rae, pegando a vitima dela e carregando ela pelo beco, a soltando apenas quando ela chegou em segurança para o poste de luz. “Obrigado, ar,” eu murmurei, e senti a brisa passar pelo meu rosto carinhosamente antes de desaparecer.
“Você está ficando boa nisso.”
Eu virei para Stevie Rae. Ela estava me observando com uma expressão obviamente alerta, como se ela achasse que eu ia conjurar outro tornado e prender ela dentro dele.
Eu dei nos ombros. “Estive praticando. Tem a ver com controle e concentração. Você saberia disso se também estivesse praticando.”
Um flash de dor passou pelo rosto magro de Stevie Rae tão rapidamente que eu me perguntei se eu realmente o tinha visto ou apenas imaginado. “Os elementos não tem nada a ver comigo agora.”
“Isso é bobagem, Stevie Rae. Você tem uma afinidade pela terra. Você tinha antes de morrer, ou algo assim,” eu pensei sobre o quão estranho era falar para a Stevie Rae morta viva sobre estar morta. “Esse tipo de coisa não desaparece. Além do mais, lembra nos túneis? Você ainda tem uma afinidade com eles.”
Stevie Rae balançou a cabeça e seus cachos curtos e loiros, os que não estavam grudados e sujos, balançaram, me lembrando de como ela costumava parecer. “Desapareceu. Quando eu morri e junto com ela a minha parte humana. Você precisa aceitar isso e seguir em frente. Eu segui.”
“Eu nunca vou aceitar isso. Você é minha melhor amiga. Eu não vou seguir em frente.”
De repente Stevie Rae fez um horrível som feral, e seus olhos brilharam de um vermelho sangue. “Eu pareço sua melhor amiga?”
Eu ignorei o jeito que meu coração estava batendo no meu peito. Ela estava certa. O que ela se tornou não tinha nada a ver com a Stevie Rae que eu conheci. Mas eu não ia acreditar que ela tinha desaparecido por completo. Eu vi deslumbres da minha melhor amiga nos túneis e isso significava que eu não ia desistir dela. Eu queria chorar, mas ao invés disso eu me segurei e forcei minha voz a soar normal.
“Bem, diabos, não, você não parece com a Stevie Rae. Quanto tempo faz desde que você lavou o cabelo? E o que você está usando?” Eu apontei para as calças de ginástica e camiseta muito grande que estavam cobertas por um longo, nojento casaco preto como um daqueles que os bizarros garotos góticos gostam de usar mesmo quando está 50 graus do lado de fora. “Eu não iria parecer como eu se também estivesse vestida assim.” Eu suspirei e dei alguns passo em direção a ela. “Porque você não vem comigo? Eu te levo escondida para o dormitório. Vai ser fácil – não tem praticamente ninguém lá. Neferet não está lá,” eu acrescentei, e então me apressei (eu duvidava que qualquer um de nós quisesse falar sobre Neferet ali – diabos, que algum dia iríamos querer falar dela). “A maior parte dos professores estão de férias e o pessoal está fazendo viagens rápidas para ver suas famílias. Absolutamente nada está acontecendo. Nem seremos incomodadas por Damien e as Gêmeas e Erik porque eles estão fulos comigo. Então você pode ir junto, tomar um banho, e vou te conseguir algumas roupas de verdade, então podemos conversar.” Eu estava olhando nos olhos dela, então eu vi a saudade que os encheu. Só durou um instante, mas eu sabia que estavam ali. Então ela olhou rapidamente para longe.
“Eu não posso ir com você. Eu preciso me alimentar.”
“Não tem problema. Vou conseguir algo para você comer na cozinha do dormitório. Hey, eu aposto que posso encontrar uma tigela de Lucky Charms,” eu sorri. “Lembra, eles são magicamente deliciosos – e tem absolutamente nenhum valor nutricional.”
“Como se Count Chocula tivesse?”
Meu sorriso aumentou aliviado quando Stevie Rae retomou nossa antiga discussão sobre quais dos nossos cereais favoritos eram o melhor. “Count Chocula tem chocolate. Cacau é uma planta. É saudável.”
Os olhos de Stevie Rae encontraram os meus. Os dela não estavam mais brilhando em vermelho, e ela também não estava tentando esconder as lágrimas que os estavam enchendo e caindo nas suas bochechas. Eu automaticamente me mexi para abraçar ela, mas ela se afastou.
“Não! Eu não quero que você me toque, Zoey, eu não sou quem costumava ser. Estou suja e nojenta.”
“Então volte para a escola comigo e se limpe!” Eu implorei. “Vamos dar um jeito nisso – eu prometo.”
Stevie Rae balançou a cabeça tristemente e limpou as lágrimas. “Não tem como dar um jeito nisso. Quando digo que estou suja e nojenta não digo do lado de fora. O que você vê no meu exterior não é metade do nojento que eu sou do lado de dentro. Zoey, eu tenho que me alimentar. Isso não é comer cereais ou sanduíches e beber coca. Eu preciso de sangue. Sangue humano. Se não –” Ela parou e vi o terrível tremor que se moveu pelo corpo dela. “Se não, a dor vai me consumir, da fome que queima e eu não vou agüentar. E você precisa entender que eu quero me alimentar. Eu quero abrir as gargantas de humanos e beber o quente sangue tão cheio de terror e raiva e dor que me faz ficar tonta.” Ela parou de novo, dessa vez respirando com força.
“Você não pode realmente querer matar as pessoas, Stevie Rae.”
“Você está errada, eu quero.”
“Você diz isso, mas eu sei que ainda tem partes da minha melhor amiga dentro de você, e Stevie Rae não ficaria confortável batendo num filhote, muito menos matando alguém.” Eu me apressei quando ela abriu a boca para discordar de mim. “E se eu te conseguir sangue humano para que não tenha que matar ninguém?”
Naquele tom sem emoção ela disse, “Eu gosto de matar.”
“Você também gosta de ficar imunda e fedendo e parecer nojenta?” eu surtei.
“Eu não me importo mais com o que eu pareço.”
“Verdade? E se eu te dissesse que posso te conseguir sua jeans Roper, botas de cowboy, e uma camiseta boa de manga comprida que é muito bem passada?” Eu vi uma faísca nos olhos dela e sabia que tinha conseguido tocar a antiga Stevie Rae. Minha mente se apressou, tentando bolar a coisa certa para dizer enquanto ainda tinha uma parte dela ouvindo. “Então esse é o negócio. Me encontre amanhã a meia noite – não, espere. Amanhã é sábado. De jeito nenhum as coisas vão estar calmas o bastante para mim sair. Então as 3 da manhã no gazebo do Philbrook.” Eu parei um segundo para rir para ela. “Você lembra daquele lugar, certo?” É claro que eu sabia que ela definitivamente lembraria onde era. Ela esteve lá comigo antes, só que aquela noite ela estava tentando me salvar, e não ao contrário.
“Sim. Eu lembro.” Ela disse as palavras com a mesma voz fria e chata.
“Ok, então me encontre lá. Eu vou ter sua roupa comigo e também sangue. Você pode comer, ou beber, ou o que seja, e mudar de roupa. Então podemos começar a dar um jeito nisso.” Eu acrescentei para mim mesma que eu também teria sabão e shampoo e iria conjurar água para a garota se lavar. Eesh, ela tinha um cheiro tão ruim quanto a sua aparência. “Ok?”
“Não tem porque.”
“Você pode por favor me deixar decidir isso? Além do mais, eu não te contei o horror do meu aniversário ainda. Vovó e eu tivemos uma horrível cena com minha mãe e o padrasto-perdedor. Vovó chamou o meu padrasto-perdedor de cocô de macaco.”
Uma risada saiu de Stevie Rae o som tão parecido com o que ela costumava ser que minha visão ficou borrada com lágrimas e eu tive que piscar frenéticamente para afasta-las.
“Por favor, vá,” eu disse, minha voz rouca com as emoções. “Eu sinto tanto a sua falta.”
“Eu vou,” Stevie Rae disse. “Mas você vai se arrepender.”

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Beatriz
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